7.7.12

10.6.12

confusão ideológica



Marx, Engels e a maioria dos marxistas confundiam «economia» e «sobrevivência». O que move o mundo dos homens é a sobrevivência (e a morte), que Freud - no seu jeito fisiologista de ser austríaco e judeu - resumiu a dois instintos, emblematizados por dois mitos gregos (os judeus sempre tiveram sentido estético). 


O que nos move mais acredito que seja o impulso para a sobrevivência. Se a sobrevivência estiver nas relações económicas, como acontece nas sociedades capitalistas, a economia comanda tudo; se estiver em outras (relações de força, relações de corte), a economia não tem nenhum papel, tal como sabiam os cavaleiros medievais europeus, os berberes do Sahara e os poetas das cortes que nunca fizeram nada de jeito na vida - muito menos poesia ou negócio. 



A casa e a mãe


Em tempo de preparação de eleições - anunciadas com apenas dois meses e meio de antecedência - devemos olhar para a constituição das listas dos partidos principais. 


A constituição de listas é sempre problemática - porque é nesse momento que os interesses que movem os políticos (posição, cargo, benefícios dos cargos) são decididos. 


O MPLA manteve uma política já instaurada antes: renovar quanto possível as candidaturas. O que é normal para um partido há tantos anos no poder, desgastado por crises crónicas na capital e condições de vida que se continuam a degradar, sobretudo para as populações mais pobres (as que têm maior número de votos). 


A UNITA parece continuar a reboque dos camaradas, frágil, sem política própria. Renovou também as listas. E cometeu, no meu entender, um erro crasso. Porque os históricos da UNITA conquistam votos ainda só com o seu nome e a sua presença daria uma imagem de unidade de que a actual UNITA precisa desesperadamente. Ainda por cima fazendo subir ao máximo posto figuras como Camalata Numa e Mihaela Webba. Numa, se decidiram varrer os 'mais velhos' (o que é uma contradição de um dos princípios básicos da UNITA), devia ter ficado na reserva também, por mera questão de coerência; Webba, de acutilante crítica do regime, vem transformando a sua imagem pública na de uma menina convencida, de vez em quando atacada de doutorice, que dá constantemente tiros nos pés como quando ataca alguns dos órgãos de imprensa que devia tratar melhor, mesmo que só por conveniência política. E, se Numa tem um nome forte em termos eleitorais, tendo sido um grande cabo de guerra e tendo mostrado coragem e frontalidade nos últimos anos ao enfrentar o governo, Webba não tem essa popularidade, menos ainda esse historial junto à memória do povo. 


A CASA-CE continua, por contraste dentro desta outra grande família, a ser mais inteligente e mais consensual. Abriga tudo, é certo, e isso pode voltar-se contra ela - se não já (porque abrigando tanta gente tão diferente parece que não tem critério para escolher) quando Chivas diamante precisar de arrumar  a casa e de lembrar que o CE vem por circunstância. Mas procura ser consensual e isso é uma virtude política nestes momentos, estratégica, para além de muito apreciada na política da África de maioria negra e, particularmente, bantu.


O maior erro, a confirmarem-se os boatos do Clube K, o maior erro da CASA-CE terá sido cometido em Luanda - praça eleitoral onde ninguém pode falhar. Colocar Luisete Araújo atrás de William Tonet é sem dúvida um erro. À partida alguns estranharão o que digo, mas um jornalista conhecido não é necessariamente um bom político, nem uma máquina de atrair votos. Ao passo que Luisete, com a originalidade e coragem que demonstrou candidatando-se a Presidente, e com o espírito de abnegação com que recuou e se integrou na CASA-CE, seria uma cabeça de lista muito mais interessante: mulher, cordata, corajosa, inteligente e ex-candidata a presidente. A opção por um jornalista polémico, frágil no seu currículo, criticado muitas vezes por ex-colaboradores e que não tem muitas simpatias no meio em que se afirmou (o da comunicação social) não terá sido a opção mais inteligente. 


Mas vamos ainda ver duas coisas e comentar só no fim de tudo: primeiro, como diz um amigo meu dessas lides oposicionistas, vamos ver quem é capaz de pôr gente na rua para além do MPLA e da UNITA; e vamos ver quantos votos cada um leva para casa. Pode ser que eu esteja errado e tenha que repensar tudo isto. 



Lavrov lavrou melhor



Sergei Lavrov, o eterno ministro dos estrangeiros da Rússia, tem desempenhado um papel odioso, dando cobertura aos massacres do regime de Assad com argumentos infantis e levianos, apenas partilhados (intermitentemente) pela China - que em termos de direitos humanos não tem nada para nos ensinar. 


Mas finalmente ele jogou uma cartada forte, que nos faz recordar a sua prestação mais competente noutros tempos, que lhe deu fama de diplomata astuto no mundo inteiro. 


Várias vezes os EUA  e seus aliados acusaram o Irão de ser cor-responsável pelas atrocidades do regime sírio. E têm toda a razão, como sabemos. A velha raposa Lavrov inverteu o argumento a seu favor: por isso mesmo é indispensável que ele faça parte das negociações para a paz na Síria. Os países que desejam ver o fim do regime dos Assad ainda não tiveram resposta à altura. 


É de calcular que algum velho mestre russo de xadrez tenha jogado recentemente com Sergei Lavrov.

9.6.12

Mulheres agredidas na praça tahrir



Aquela revolta quase ingénua de jovens querendo liberdade, modernização, via-se que era um sonho sem rumo, sem futuro. A pouco e pouco - era de prever - os islamitas (melhor organizados, com mais dinheiro e popularidade assegurada) foram tomando conta da 'revolução' e transformando-a no contrário do que ela parecia ser. 


Como têm, de resto, tentado após outras 'primaveras árabes', eles irão fechando o círculo das liberdades a pouco e pouco, desfazendo os mitos da igualdade no tratamento entre homens e mulheres, acabando com prazeres 'ocidentais', enfim, tentando fechar o país num convento forçado e levando-o a regredir como tem acontecido em vários outros países e foi caso extremo o Afeganistão. 


Enquanto distraem a população com o veredito de Mubarak e tentam manipular a multidão para impedir o candidato Shafiq de concorrer (ele, que já provou ser popular na votação anterior), começaram vários ataques e cercos aos impulsos mais nobres, abertos e modernizantes da revolução egípcia. 


Começaram a aparecer - sobretudo na simbólica Praça Tahrir - grupos de homens que assaltam, espancam e abusam sexualmente das mulheres. Mulheres que resolveram manifestar-se contra isso, rodeadas por um cinturão de homens que pretendiam protegê-las, foram agredidas, apalpadas, encurraladas contra grades até conseguirem refugiar-se num prédio próximo. 


Começam, portanto, a revelar-se os métodos que as irmandades muçulmanas e afins usarão para levar a cabo a imposição radical e estreita de uma 'lei islâmica'. O método é o da violência, claro. Como no Irão, como nas ditaduras todas. 


Ironicamente é mesmo Ahmed Shafiq a única pessoa que, neste momento, pode salvar a revolução que tentou evitar. E agora percebemos porque o regime não queria abrir-se desta forma e sob esta pressão: antigos aliados que passaram a odiar-se, os militares e os islamitas conhecem-se bem. E não se suportam. 


No meio ficam os jovens liberais, que não deviam ter avançado sem terem meios, organização, popularidade, enfim opinião favorável e forte o suficiente para evitar o desaire total da sua revolução - que vai ser já na próxima eleição consumado. 


Há países onde o Google e a Internet ainda não mobilizam maiorias.

24.5.12

evo morales 500 anos


Evo Morales, dirigente boliviano, já tinha várias vezes demonstrado publicamente o seu desequilíbrio mental - de resto, acompanhando Chávez e Rafael Correa, vergonhosamente batido pela FA da Colômbia.

Agora descobriu, provavelmente numa sessão de ayahuasca, a duração do seu projeto político: nada menos que 500 anos, exatamente o mesmo período da colonização. Longa vida ao Camarada Morales. E que a terra lhe pese pelo menos 500 kg em cima!

Com tais provas de demência o que se pode esperar de um dirigente? Naturalmente, que o tirem de lá.

20.5.12

João Vieira Lopes


Excelente, o bloco do Novo jornal sobre João Vieira Lopes. Particular destaque para a conversa a sair em livro e de que o jornal transcreve uma parte, aliás explosiva e esclarecedora de muitos dos erros cometidos mais tarde pelo primeiro presidente da República. 

estranha incoerência


O Tribunal Constitucional praticamente legalizou a liderança de Lucas Ngonda na FNLA. A Assembleia Nacional disse que Ngola Kabangu devia indicar todos os delegados à CNE por parte da FNLA.


Como se compreende uma discrepância destas? Não é a legítima direcção que indica os delegados para a Comissão que supervisiona a sua candidatura e a dos outros à Assembleia? A AN pode passar por cima do TC?



Tribunal Supremo isento



Numa prova talvez de isenção (se não mesmo de sobriedade política) o Tribunal Supremo sancionou a saída de Suzana Inglês - segundo o Novo jornal


Ficamos assim com a certeza de que, para além de politicamente desgastada, esta figura não tinha cobertura legal para ocupar o cargo. 


Os partidos da oposição agiram, também, com inteligência. Em vez de barafustarem e deixarem vazias as cadeiras foram à Justiça, pressionando-a a tomar decisões perante o povo em face de assuntos delicados. 


É assim que a democracia funciona. 

desenvolvimento humano em áfrica


Segundo o Novo jornal, somos o 12.º país no índice de desenvolvimento humano. É um relatório do PNUD que o afirma, reportando-se ao último decénio.


Como destaca o jornal, 10 dos 12 países com maior índice de desenvolvimento humano são africanos, entre eles um lusófono (Moçambique, 5.º lugar) e um vizinho (RDC, 10.º). 


Não admira: África está muito mal. É como um pobre que, de repente, ganha mil dólares. O índice de enriquecimento dele foi enorme. Mas, ainda assim, é de registar o progresso realizado, embora estejamos na cauda dos primeiros.


Outro facto a reter: o Mali surgia em 6.º lugar. O golpe militar deu cabo disso. 

12.5.12

Notícia surpreendente no «Jornal de Angola»

A última reunião do Bureau Político do MPLA decidiu, entre outras coisas, aprovar as quotas de renovação da lista de candidatos a deputado e a "directiva sobre a Base de Dados de Gestão de militantes".


Jornal de Angola, porém, destacou para título a seguinte decisão: "MPLA considera positivo desempenho do Executivo". Deduzo que algum poeta apaixonado por rimas terá sido o responsável pelo destaque. 

Estado abandona mercadorias na Alfândega



Entre os produtos que vão a leilão, por não terem sido levantados na Alfândega pelos importadores "há mais de 60 dias", encontram-se os de vários organismos estatais. Por exemplo: 



  1. "Máquina p/agricultura", cujo importador é o Ministério da Agricultura;
  2. "Estruturas metálicas" para o INEA;
  3. "Lubrificantes" para a SONANGOL;

Como se enquadra e explica este comportamento. O Estado importa produtos e abandona-os no Porto? Afinal precisavam deles ou não?

(Fonte: Jornal de Angola, 12-05-2012)

11.5.12

dirigismo cultural agrava-se


"A liberdade de criação dos artistas
não se faz por decreto. Não se compreende,
por isso, por que razão os
cachets dos artistas, a partir de agora,
só podem ser pagos aqueles que estão
inscritos na UNACA. Não faz sentido e a direcção desta
associação, que deveria ter outras preocupações para
os dignificar, deveria perceber que essa é uma aberração.
E, os compositores também terão se inscrever
na sua lista de filiados? Desde quando é que o valor
das obras dos artistas e dos compositores para serem
reconhecidas pelo público têm de ser caucionadas por
uma entidade amorfa, que vive do peditório nacional
para se manter de pé? O antigo Presidente da Endiama,
Arnaldo Ca lado tem de olhar para os artistas
e composições doutra forma e desempoeirar a UNACA
desta inaceitável sobranceria burocrática."

Tem toda a razão, o Novo jornal desta semana!

6.5.12

O Prémio outra vez?



Ó Sr.ª Ministra, o prémio outra vez? É melhor não falar nisso. Então a estória que nos conta agora não contou naquela altura porquê? Porque os membros do júri que não compareceram à segunda reunião ainda não tinham assinado a Ata de limpeza? 


Voltámos ao estalinismo cultural.

12.4.12

rescova picices

«Não posso reagir, porque ainda não existe um partido político com o nome de CASA, e não tenho por hábito falar de questões que oficialmente não existem» (Semanário angolense, 7-4-2012, p. 15)

É de homem, sim senhor! Que, porém, não é político, portanto não devia chefiar uma organização partidária, porque não se compreende nem se aceita que um líder político ignore um facto político - tanto mais que é um facto politicamente importante. 


Não dar por essa importância, não reparar na necessidade política de reagir, e reduzir-se apenas às questões que existam "oficialmente" é mostrar a inadequação da pessoa em causa ao cargo que ocupa.  




6.4.12

Mali tudo resolvido

Talvez a crise do Mali esteja resolvida. As decisões parecem ter sido tomadas ao mais alto nível: os islamitas radicais perdem fulgor e a população não gostou da imposição da sharia ou charia. O MNLA moderou-se, declarou cessar-fogo unilateral e os canais de televisão internacionais transmitem agora declarações dos seus porta-vozes e trazem-nos aos noticiários, indo alguns de gravata já. A junta está cada vez mais isolada e como o seu único alibi - a revolta no Norte - está ultrapassado vai cair mais depressa, não sendo necessário fazer uma intervenção militar para obrigá-los a deixar o poder.


Respiramos de alívio e ainda bem que é Páscoa.


Uma pergunta só, relativa ao que há de mais estimulante nisto: como vão povos e elites que se reclamam nómadas do deserto construir um Estado, que é a instituição mais sedentária que existe? É um desafio que, se calhar, também vai desaparecer: provavelmente fazem mesmo um Estado, daqueles impossíveis, paupérrimos, mas em que o dinheiro chega para as gravatas e as viagens da elite para fora do país. E há perigos então: traficantes com carta branca (incluindo latino-americanos), Estados chavistas com uma lança em África (que financiavam livros e mais propaganda a favor do MNLA e de poetas touaregs desde que falassem mal da França e dos EUA), refúgio para os líbios órfãos, etc. Com algum restinho de dinheiro líbio a ajudar e não só, que nisso de Estados nómades o Coronel berbere tinha a sua experiência - ou, pelo menos, aparência...



26.3.12

senegal e mali

É de assinalar a diferença entre o Senegal e o Mali, dois países que se chegaram a pensar juntos dentro de uma grande federação - projecto que a realidade mostrou ser pouco ... realista: foi criada em 1959 (com Senghor como Presidente da Assembleia) e logo nesse ano sofreu a separação de dois dos países fundadores: Daomé (Benin) e Alto Volta (Burkina Faso).


Ainda bem para o Senegal. Apesar da sua deriva autoritária, Abdulaye Wade reconheceu a derrota nas eleições de Domingo e felicitou o candidato vitorioso. O Senegal, mal governado nos últimos tempos e com uma economia doente, deu uma lição de democracia a África e ao mundo. 


Já no Mali prolongam-se velhos males. Um presidente quer mandar soldados combater sem lhes dar condições de vitória. Os soldados revoltam-se mas, em vez de exigirem condições para combater, tomam o poder, anulam literalmente todas as instituições e a Constituição, sem nenhum projecto político, sem nenhuma estratégia para o país. Resultado: continuam sem condições para combater os rebeldes no Norte e também não têm condições para manter o poder. Mais uns anos de atraso num péssimo país para viver. 


E, já agora, vai sendo tempo de pensar nos berberes e nos touaregues. São povos original e tendencialmente nómadas. Os povos sedentários fixaram territórios, posses e fronteiras. Os nómadas ficaram assim sem terra, porque deixaram de poder transitar como faziam. Acabaram reduzindo ao longo deserto que ninguém mais queria. Mas mesmo aí foram colocadas fronteiras e posses. A pátria dos nómadas é o vento e o caminho. Se lhes fecham os caminhos e lhes dão ar condicionado, em desespero de causa eles só podem pegar nas armas. 

tpa brilha no escuro

Quando os canais de informação do mundo inteiro noticiavam que o próprio Wade, no Senegal, tinha reconhecido a sua derrota nas presidenciais, a TPA informava-nos que a campanha tinha sido tensa, que o candidato da oposição reunia muito consenso à sua volta e isso podia tornar difícil a reeleição de Wade. Mais nada. 


Afinal, para que serve o noticiário internacional da TPA?

19.3.12

digno

... e um exemplo de espírito democrático o artigo escrito por Sousa Jamba sobre a 'dissidência' inteligente de Chivukuvuku e a criação da CASA. Um artigo que mostra, pelo seu fairplay (pela sua sabedoria também) como num país democrático não precisamos de organizar grupos de agressão. 

17.3.12

democracias lusófonas

Retransmito:



Cabo Verde passa Portugal no índice do Economist Intelligence
por Lusa

 
Cabo Verde é o país lusófono mais democrático, tendo ultrapassado Portugal no último ano, revela o Índice da Democracia 2011,
 do Economist Intelligence Unit, que coloca Angola e Guiné-Bissau entre os piores.

O índice, realizado pelo serviço de investigação da revista "The Economist", vai na quarta edição e avalia as democracias de 165 estados independentes e dois territórios, colocando-os em quatro categorias: democracias plenas, democracias com falhas, regimes híbridos e regimes autoritários. 

Segundo o relatório, Cabo Verde é o 26.º país mais democrático e o primeiro na categoria das democracias com falhas, sendo seguido de Portugal. 
Os dois países trocaram de posição, já que em 2010 Portugal era o 26.º e Cabo Verde o 27.º.
 
Num total de 10 pontos possíveis, Cabo Verde obtém 7,92 (menos duas décimas do que em 2010), o que resulta de uma avaliação baseada em cinco critérios: 
processo eleitoral e pluralismo (9,17 pontos), funcionamento do governo (7,86), participação política (7,22), cultura política (6,25) e liberdades civis (9,12). 

Cabo Verde é referido como um dos seis países da região da África subsaariana onde as eleições são consideradas livres e justas, juntamente com o Botswana, o Gana, as Maurícias, a África do Sul e a Zâmbia. 

Entre as democracias com falhas surgem ainda Timor-Leste, que se manteve no 42.º lugar, e o Brasil, que desceu da 47.ª para a 45.ª posição, ex-eaquo com a Polónia. 

Timor-Leste teve uma classificação global de 7,22 (igual a 2010), com 8,67 no processo eleitoral e pluralismo, 6,79 no funcionamento do governo, 5,56 na participação política, 6,88 na cultura política e 8,24 nas liberdades civis.
Já o Brasil teve 7,12 (igual a 2010) de classificação geral, com 9,58 no processo eleitoral, 7,50 no funcionamento do governo, 5,00 na participação política, 4,38 na cultura política e 9,12 nas liberdades civis.
Moçambique, que desceu do 99.º para o 100.º lugar em 2011, é o único país lusófono entre os regimes híbridos e obteve um total de 4,90 pontos (igual a 2010), distribuídos entre o processo eleitoral (4,83), funcionamento do governo (4,64), participação política (5,56), cultura política (5,63) e liberdades civis (3,82). 

Entre os países classificados como sendo regimes autoritários surgem Angola, que desceu do 131.º para o 133.º lugar, e a Guiné-Bissau, que se manteve no 157.º. 

O processo eleitoral e pluralismo angolanos obtiveram 1,33 pontos, o funcionamento do governo 3,21, a participação política 4,44, a cultura política 4,38 e as libertades civis 3,24, o que resulta numa classificação global de 3,32, igual à do ano passado.
Angola é ainda um dos 40 países que registaram uma deterioração da liberdade de imprensa, revela o relatório. 

Com um total de 1,99 pontos (igual a 2010), a Guiné-Bissau recebeu uma classificação de 2,08 no processo eleitoral, 0.00 no funcionamento do governo, 2,78 na participação política, 1,88 na cultura política e 3,24 nas liberdades civis. 

O Índice da Democracia não refere São Tomé e Príncipe. 

Cabo Verde é, ao mesmo tempo, dos países africanos que mais consistentemente vem melhorando o desempenho económico, desenvolvendo o equilíbrio social e nas contas públicas e o controlo da corrupção. 


Mais uma vez se verifica esta associação entre índice de desenvolvimento democrático e os outros índices económicos e sociais. 

16.3.12

'os americanos' outra vez malucos...

Mais uma 'maldade' feita por um soldado 'americano' no Oriente islâmico. É mais ou menos assim que os acontecimentos são apresentados, incentivando a manipulação ideológica anti-'americana'. 

Claro que essa manipulação é normal, politicamente, no contexto que se vive por exemplo no Afeganistão e no mundo que o perturba. Mas é claro também que ninguém nos EUA tem interesse em que os soldados dos EUA pratiquem atos perversos e tresloucados seja onde for. A notícia desses atos evoca-me outras idênticas mas passadas dentro dos EUA, particularmente aqueles casos de cidadãos que são acometidos de qualquer impulso anormal e disparam sobre pessoas indefesas. 

É por aí que busco uma explicação: os 'americanos' estão doentes e o treino militar não é já suficiente para tratar o mal dos 'americanos': a mente pública perturbada, que se manifesta livremente há várias décadas no cinema por exemplo. 


Não há solução que passe pela repressão; proibir as pessoas de ver os filmes, ou realizadores de fazê-los, é uma patetice - como já várias vezes a história do mundo mostrou. Sabiamente os vários governos dos Estados Unidos não têm seguido por aí - ao contrário, por exemplo, da conhecida receita taliban.

Não sei qual é a solução mas, de facto, os EUA, se querem continuar as intervenções internacionais de acordo com a ONU, têm que escolher com muito mais rigor os seus soldados e apostar em unidades menos numerosas (mais eficazes também). 

O que implica não entrarem, se calhar, em tantos países. De nada serve um polícia estafado... 

13.3.12

paz, segurança e democracia

Porumtanto camaradas é paz, segurança e democracia. Significa dizer que se discordas do governo levas mas é já porrada. Eu próprio não disse isto. Ponto final.

11.3.12

apoios reais e demagogia



O governo decidiu dar apoios para pequenos negócios e pequenas empresas, por exemplo através da facilitação e gratuidade da constituição das empresas, do juro bonificado (2%) a 5 anos, da criação de unidades técnicas para apoio na burocracia da constituição das empresas, etc. 


O programa de apoio anunciado pelo PR, a concretizar-se, merece sem dúvida o aplauso da própria oposição. 


Já o mesmo não me parece do que habitualmente é muito elogiado: o programa de casas para todos. É um resquício de socialismo que traz todos os seus vícios: na prática, as casas vão ser distribuídas sob orientação de redes clientelares e o povo, na verdade, não precisa de casa. As pessoas fazem as suas casas mesmo na candonga. O que precisam é de terrenos e de infraestruturas. Se o governo, em vez de construir casas, legalizar a maioria dos terrenos ocupados e com casas contruídas (os que tenham condições de habitação), pode gastar o dinheiro da construção de casas a criar ruas, nem que seja de terra bem batida; a criar redes de abastecimento de água mais completas (não é uma torneira para milhares de pessoas); a criar redes de distribuição de energia elétrica; redes de esgotos e escoamento de águas pluviais. E, também, a fazer isso tudo funcionar (água, luz, esgotos, ruas). 


Um governo que não garante aos seus cidadãos água e luz e esgotos, faz sentido que vá gastar milhões a fazer casas para entregar a pessoas que as fazem sozinhas? Não. Nem estimula o desenvolvimento. O que estimula o desenvolvimento são programas como esse anunciado pelo PR: ajudar as pessoas a criarem a sua própria riqueza.

14.2.12

crise do liberalismo ou do Estado social?



Com uma estranha prontidão os cronistas de esquerda correram atrás da crise para denunciar as nefastas consequências do neo-liberalismo. Baralharam tudo.


Há duas crises: uma, iniciada nos EUA, provocada pela facilitação dos empréstimos para compra de imóveis e outras compras. Instituições não propriamente bancárias começaram esse processo, os governos democratas e republicanos foram fechando os olhos (isso dava uma impressão de bem-estar ao povo) e depois a bolha rebentou. Rebentou porque as pessoas compravam mais, muito mais acima do que podiam pagar e faziam-no fiadas nos empréstimos fáceis. Esse tipo de processos vai crescendo, engordando quem empresta, até estoirar porque não é sustentável a médio prazo. Depois mergulha-se na crise e, se tentamos adoçá-la, enfeitá-la, disfarçá-la, pior ficamos. 


O que terá falhado aí? Uma cultura política de rigor em vez de políticas oportunistas feitas em função do voto próximo. As regras básicas do sistema de empréstimo foram superadas pela criatividade de alguns agentes económicos e, sempre que surge algo novo, é necessário fazer uma regulação mínima para que não haja abusos. É um limite, sem dúvida, para o liberalismo: é preciso legislar e regrar o mercado - mas minimamente, mostrando apenas os limites do negócio. 


A outra crise é bem mais profunda e não tem nada com esta, exceto pelo facto de se terem encontrado as duas na velha e senhorial Europa. Os países europeus, em tudo mais avançados que a China, recebem agora os chineses de braços abertos, agradecem-lhes a compra de empresas europeias, etc. O mesmo, aliás, se vinha passando com dinheiros árabes, indianos, do Oriente em geral e de alguns africanos. 


É sem dúvida humilhante que a Europa venha agora a depender da ajuda dos países que antes criticava - e justamente - por não terem direitos laborais, liberdade, salários, condições de trabalho e segurança social à altura das básicas necessidades humanas, etc. 


Mas os europeus têm que abrir os olhos e ver que:


1) por um lado, o 'apertar o cinto' por si só não dá nada: seca o mercado, o mercado encolhe demais, há menos impostos a receber, menos receita por todo o lado e vai-se de crise em crise até à derrocada final;


2) o Estado social falhou completamente. Na verdade sempre foi uma utopia, mas sabia bem e ninguém queria desvendar os olhos aos operários. O excesso de proteção praticado pelos Estados sociais europeus é que os levou à bancarrota. Os próprios empresários europeus fugiram, muitos deles, para o 3.º mundo - onde tinham mão de obra mais barata mesmo quando especializada e uma carga de impostos infinitamente menor. Com eles levaram empregos, dinheiro dos impostos, enfim, receitas. 


Bradar, agora, contra a falta de direitos e condições laborais na China, ou em qualquer outro país, é patético. O que há é que pensar por que o Estado social, paternalista, faliu. A resposta é dolorosa para quem sempre acreditou nisso, principalmente os políticos de índole socialista. A causa do 'falhanço' acaba sendo a mesma que a do fim do 'comunismo': passa-se um pano de faz-de-conta sobre a ambição humana, a natureza humana, e tenta-se acabar ou neutralizar aquilo que mais nos move a par do sexo, e que é o dinheiro, o poder, a aceitação e superação da competição. Claro que os empresários não iriam ver os lucros dos seus colegas de outros países crescer enquanto os seus diminuíam pela carga fiscal imposta, somada ao excesso de direitos e benefícios que eram obrigados a conceder. Claro que iam partir para países onde ganhassem mais e dessem menos ao Estado e ao trabalhador. E claro que, nesse caso, a Europa ia ficar sem dinheiro suficiente para impor a democracia com Estado social a todo o mundo. 


É claro, também, que os cronistas de esquerda não sabem como dizer isso, assumir isso e reconhecer que o seu ideal estava errado. Inventam então esse mirabolismo: se há crise porque não houve regulação, então tem que haver regulação; se o liberalismo defende que não se regule, a culpa é do liberalismo - acabe-se com ele. E faça-se o quê? Outro Estado social e paternalista? Com que empresários?



9.2.12

Síria: guerra só de palavras?

O cartoonista do Jornal de Angola, sem dúvida pessoa talentosa, diz que a guerra na Síria é "por enquanto só de palavras" (v. cartoon de hoje). 


Ó Casimiro Pedro, só de palavras? As palavras matam daquela maneira? Bombas, incêndios, tiros, tanques, obuses, um número chocante de mortos e feridos e o meu amigo acha que tudo não passa de uma guerra de palavras? Ó amigo, veja pelo menos a Al Jazeera!

Guiné Equatorial na CPLP?

O que desejam os que denunciam a ditadura corrupta de Obiang Nguema não é que a Guiné Equatorial não entre na CPLP, é que o ditador saia do poder ou, pelo menos, que haja inteira liberdade ali - se é que isso é possível com um homem que há tanto tempo insiste numa política autoritária. 


Convém que a CPLP faça uma discussão frontal acerca deste assunto e obrigue os representantes da Guiné Equatorial a concordarem com o propósito lusófono (pelo menos aparente) de caminhar no sentido da liberdade, da democracia, da convivência saudável entre opiniões divergentes. 


As declarações de Georges Chicoti recentemente em Lisboa foram felizes e infelizes ao mesmo tempo. 


Por um lado é certo que a entrada da Guiné Equatorial pode "permitir uma evolução significativa" naquele país. Nesse sentido, aliás, as "reticências portuguesas" podem estar a dissipar-se se a Guiné Equatorial aceitar que a sua entrada na CPLP implica o engajamento "na construção dos valores democráticos". 


São já menos felizes declarações que lembram que outros países lusófonos não foram democráticos. Porque um erro, mesmo quando estratégico, não é por ter acontecido que se deseja ou deixa de ser erro. Se não foram boas as ditaduras que em certa altura Chicoti combateu também não é boa a ditadura na Guiné Equatorial. 


Alternativamente, a Guiné Equatorial e os países mais empenhados na sua integração devem, não só chamar a atenção (como fez o Ministro angolano) para o isolamento da Guiné Equatorial, mas sobretudo chamar a atenção para o que nos aproxima enquanto povos. Por dois lados essa 'comunidade' se estabelece: o lusófono (que, portanto, vem mesmo a calhar para uma CPLP, visto que há uma longa e estruturante memória da língua portuguesa e do seu convivente perfil tropical) e o bantófono, que aproxima essa Guiné de países como Angola, Moçambique e São Tomé.


A nossa maneira - lusófona e africana - de ser é, portanto, bem próxima da dos equato-guineenses e é revelando, por exemplo, o seu folclore que tomamos consciência disso, não falando em interesses empresariais ou defendendo que já houve ditaduras lusófonas antes. 

Angola: oposição democrática procura-se

Para haver democracia é preciso que os partidos políticos assegurem o ambiente democrático. Na verdade, para pouco mais servem se um governante souber absorver uma equipa nacional e consensual. 


Para isso é necessário que os partidos políticos cultivem, por dentro, o exercício da democracia. 


O que temos visto, ultimamente, é o contrário. Ainda ontem, quando a ala Lucas Ngonda, da FNLA, foi procurar uma casa para arrendar num bairro de Mbanza Congo (o 4 de Fevereiro!) onde a ala oposta é maioritária, a expedição resultou numa grande pancadaria. 


O caso é mais sério do que tem parecido aos jornalistas. É um indicativo de que as massas que apoiam Ngola Kabangu (e provavelmente as que apoiam os outros líderes), as próprias massas estão dominadas por sentimentos, convicções, ambições e práticas anti-democráticas. Portanto, não é dali que virão exemplos de democracia que nos mostrem uma alternativa séria ao MPLA. 


Dentro da UNITA, com um pouco mais de charme, Samakuva e os seus mais próximos andam sobre as mesmas águas. A pouco e pouco vão-se afastando as opiniões divergentes e é estranho que esse comportamento comum se generalize a várias tendências internas sem que haja um motivo interno para tal. De maneira que a própria UNITA vem perdendo o prestígio democrático anterior, quando fez Congressos a sério, com oposição propriamente dita e em ambiente de inteiro à-vontade. 


Uma coisa podemos concluir: é que, de facto, os partidos históricos de Angola não constituem alternativa entre si, nem alternativa ao MPLA. Cada vez menos uma verdadeira oposição passa por eles. A saúde da democracia angolana passa, portanto, por encontrar alternativas aos velhos partidos. E esse processo é preferível que seja lento para ser calmo e sólido. 

3.2.12

o que faz a CPLP para a divulgação da língua portuguesa?

Pergunta oportuna de José Milhazes no seu interessante blogue: http://darussia.blogspot.com/ - onde podemos ver as declarações de Putin sobre a segunda volta traduzidas com maior isenção do que nos noticiários das principais cadeias televisivas do ramo. 

4.1.12

Ensino Superior mau: público e privado

Segundo o Jornal de Angola de hoje, a Ministra do Ensino Superior mostra-se preocupada com o fraco nível de muitas licenciaturas e instituições de ensino superior privado. 


Não deixa de ter razão. Mas, para não perder autoridade moral, devia começar por arrumar a casa e fechar cursos e instituições públicas que, repetida e comprovadamente, prestam um péssimo serviço, não formando quadros com um mínimo de qualidade e eficiência no serviço. É só ela pedir aos empresários que indiquem as instituições públicas de ensino superior que eles na prática não reconhecem como formando quadros válidos.