8.6.17

O que diz o PCP de Nicolás Maduro?



Maduro, porém, não é um caso pessoal, mas o caso típico do 'socialismo do séc. XXI', ou seja, do novo coronelismo de esquerda na América Latina - em que a figura do 'coronel' é assumida por qualquer um, portanto, passa para a massa indiferenciada dos pequenos títeres caseiros, que são piores ainda.



O que diz o PCP de Nicolás Maduro?:



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2.6.17

More professionalism, less populism: How voting makes us stupid, and what to do about it


O artigo em hiperligação coloca, lúcida e corajosamente, o dedo numa das feridas mortais da democracia tal como vem sendo praticada, ou seja, por um sistema partidário, de quando em quando legitimado em eleições diretas e, ou, referendos.

A colocação do problema é certeira, sobretudo quanto à segunda parte do título acima. Já a solução não sei se será. 

O recurso aos «corpos intermédios» como conceito operatório de base para repensar a representatividade organicamente e profissionalmente não é novo. Antes surgiu entre correntes, geralmente à direita, que denunciaram já, com todo o acerto, a democracia partidária. Porém, quer a Ocidente quer, por exemplo, no Paquistão de Zia Ul-Haq, as tentativas de aplicar essas propostas passavam por um retorno a tradições próprias de um tempo superado irremediavelmente (como hoje se vê por fenómenos como os do islamismo fundamentalista) e pela instalação de uma Ditadura, assim, escrita com maiúscula.

Os autores deste ensaio procuraram caminhos alternativos para definir os «corpos intermédios» e explicam-nos bem porque é necessário fazê-lo hoje. Mas a recuperação dos partidos como corpos intermédios passa por cima do facto de eles próprios e o seu habitat implicarem na proliferação do nepotismo, da falsificação dos programas eleitorais após as eleições, no incumprimento e na corrupção por sistema. Foi o sistema partidário quem gerou uma oligarquia de políticos profissionais e empresários que, em nome da liberdade, das mais variadas maneiras abafa a liberdade na prática. 

Parece-me que hoje avançámos o suficiente para levar em conta ONG's, associações da sociedade civil organizadas autonomamente (fora das esferas dos partidos e das igrejas), e ainda os velhos sindicatos e associações de classe. Todos esses órgãos constituem «corpos intermédios» no sentido próprio da palavra e são profundamente políticos sem terem de estar presos ao sistema partidário. Alguns deles estão comprometidos, outros porém continuam a escapar à corrupção sistemática. Os partidos, justamente, falharam enquanto corpos intermédios, enquanto clubes de pensamento político e intérpretes do voto.

Sem dúvida, o artigo não deixa de ser interessante, apesar de ignorar que os partidos fazem parte do mal e não da cura, se é que existe cura para a imoralidade política. Além da constatação lúcida e corajosa de como o voto direto nos torna imbecis a todos, o ensaio conduz-nos à percepção, a meu ver correta, de um necessário equilíbrio entre a auscultação pelo voto - em plena liberdade, ou não se ausculta nada - e a posição do profissional, mais atento, avisado e tendo já acompanhado conscientemente experiências políticas diversas. O sistema híbrido que defende, neste aspeto, me parece uma boa direção para a superação dos dilemas das democracias atuais. 

Vale a pena ler o texto na íntegra, podendo ser baixado neste endereço em 'pdf'. Lê-lo me parece um bom ponto de partida para pensarmos a desastrosa presidência de Trump nos EUA, bem como a ascensão dos novos ditadores um pouco por todo o lado. Ou seja: para pensarmos em métodos, caminhos, que organizem democratica e saudavelmente as sociedades evitando populismos, arrivismos, aventureirismos - a que as populações se dão por não se sentirem nem ouvidas nem representadas ...num sistema representativo! 

Mas podemos começar pelo resumo:

More professionalism, less populism: How voting makes us stupid, and what to do about it | Brookings Institution:



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29.5.17

Anne Hidalgo demande l’annulation d’un festival réservé aux femmes noires



Tarde ou cedo isto iria acontecer: a frouxidão política dos 'corretos' permitiu e, mesmo, estimulou que o combate ao racismo se transformasse no combate contra os brancos e por um racismo 'positivo'; da mesma forma o combate ao 'eurocentrismo' se transformou na luta pela hegemonia fundamentalista dos vários 'tradicionalismos' - desde que não-europeus; o combate ao fanatismo religioso transformou-se num combate ao cristianismo europeu, como se as fogueiras das inquisições não estivessem acesas nos mais variados cantos do mundo. 



A pergunta que se põe, a meu ver: é legítimo que certos grupos queiram viver em separado, em apartheid, em segregação baseada na cor da pele associada a uma cultura, na vivência religiosa associada a uma cultura, ideologia, cor-de-pele? etc? Se é legítimo, então será legítimo também que os brancos criem o seu desenvolvimento separado e que todos fiquem definitivamente confinados aos territórios em que, neste momento, são maioritários. E não saiam de lá. De resto, parece-me que Hitler e Bin Laden, dois 'puros' sinistros, apontavam já para isso... 



O avanço da globalização provoca resiliências perturbadas, afetadas, de mentes em desequilíbrio e ruptura por dificuldades de adaptação a um mundo que não conseguem dominar como dominavam a família, a aldeia, a tribo, pequenas nações, etc. É compreensível, mas não admissível - ao menos para tantos que pensam como eu. 



É, porém, legítimo, com iniciativas como as que a autarquia parisiense quer impedir, é legítimo que os franceses 'de origem', 'nativos', 'autênticos', 'de sangue', 'puros' (são termos usados por africanos negros racistas, como por racistas de todo o mundo), reajam votando no FN ou, simplesmente, rejeitando os emigrantes e a sua 'integração'. Aliás, estes grupos não querem ser integrados, querem impor a sua cultura política segregacionista mesmo no país que os hospeda. 



Se, despudoradamente, em países africanos onde o racismo, por lei, é proibido, se diz que só pode ser nacional quem tenha, pelo menos, 'uma gota de sangue negro' (se não banto), então é natural que haja franceses a defender que, para se ser francês e viver em França, também se tenha que ter 'uma gota de sangue branco'. 



O pior é que o sangue é ...vermelho. Só se 'safam' os comunistas e os índios, que também têm o vermelho na pele! Salvo se, bem vistas as coisas, todos somos parentes de Khois e de Sans e de timorenses e de australianos... nativos! - que vieram de África, segundo parece como todos nós, que não somos 'negros' mas amarelos, vermelhos, castanhos de vários tons até ao creme claro da minha pele ...toda ela feita e curtida em África. 





Anne Hidalgo demande l’annulation d’un festival en partie réservé aux femmes noires:



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Governo federal brasileiro gasta R$ 107 bi só com subsídios



Ou seja: tanto na corrupção quanto nos gastos, este governo continua o anterior. Eram mesmo da mesma chapa! E, se foi lá posto para realizar reformas desagradáveis mas eventualmente necessárias, com tantos 'se não' a atuarem como camisa de forças (cada vez o rosto mais contraído nas fotos do presidente), as reformas também não avançam ou já avançam desfiguradas e o efeito pretendido com elas irá diminuir. 



Numa palavra: mais do mesmo, menos a componente ideológica para legitimar invasões de ministérios.



Na Folha:



Governo federal gasta R$ 107 bi só com subsídios - 29/05/2017 - Mercado - Folha de S.Paulo:



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18.5.17

Vários ministros brasileiros abandonam governo, Temer pode renunciar - PÚBLICO


Não renunciou. Desta vez. Mas vai a caminho...

Os juízes parecem estar a terminar o seu soneto com chave de ouro. O que se vai seguir?

Só o PT destoa. Não se entende que o Partido mais comprometido com a corrupção, cujo ícone histórico está igualmente denunciado por corrupção já em boa parte comprovada, não se compreende que vá promover manifestações e 'diretas já!' e outras iniciativas que visam reconduzir a sua máfia ao poder.

Toda essa classe política é mesmo para 'varrer', o momento para fazê-lo é agora e não podem ser os mãos sujas quem vai limpar as sobras do Carnaval.


Vários ministros brasileiros abandonam governo, Temer pode renunciar - PÚBLICO:



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17.5.17

Rússia - Putin disponível para entregar registos de conversa de Trump e Lavrov na Casa Branca

É claro que transcrições de conversas nada provam e é claro que Putin está a rir-se dos EUA. Em pouco tempo, Trump transformou o país mais poderoso do mundo numa palhaçada e arrastou-o para situações humilhantes. Até agora, falhou em tudo, incluindo na Coreia do Norte, mas agora foi pior: meteu o seu país a ridículo. É realmente uma pessoa sem condições para o cargo. 



Posto isto, volto a perguntar-me: 

1) o sistema eleitoral americano é demasiado imperfeito. Porque ninguém fala em mudá-lo, para que não mais sejam eleitos presidentes que perdem nos votos?

2) até que ponto se pode continuar a ignorar que um dos fundamentos destas democracias está profundamente errado, porque o povo não é sábio, deixa-se iludir e, muitas vezes, mesmo sabendo do perigo, deixa-se arrastar para ele por inércia, preguiça, ou moleza.



Não sei qual a solução, continuo à procura, mas a escolha dos governos e dos presidentes em função de maiorias abstratas não me parece boa. Teria, pelo menos, de se articular uma escolha universal e 1homem-1voto com escolhas setoriais e regionais, através de assembleias de representantes de classes, ou de organismos de classes e de assembleias municipais. 



O que nunca pode ser posto em causa, porém, é o direito à verdade e à liberdade. Sem eles ficamos ainda menos avisados. 



Rússia - Putin disponível para entregar registos de conversa de Trump e Lavrov na Casa Branca:



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11.5.17