24.4.17

O lado (ainda) oculto de Mélenchon



Apesar dos elogios ao Chavismo e outros regimes ditatoriais, ainda muita gente não percebe o que significava Mélenchon na política francesa: uma ditadura marxista, imposta a partir de estruturas paralelas ao Estado até controlar completamente o Estado - uma estratégia semelhante à de muitos islamitas fundamentalistas, que a praticaram, por exemplo, no Egito. 



Esta notícia (v. abaixo e ler até ao fim), conjugada com a dificuldade que o candidato revela em reconhecer um resultado desfavorável (a mesma que teve López Obrador no México), mostra o verdadeiro rosto da 'França insubmissa' que havia de ser submetida por ele. Manifestações de rua turbulentas para sustentarem uma rejeição dos resultados, isto apesar de ninguém mais os pôr em causa, nem mesmo os restantes inimigos da democracia francesa. 



Ou seja: Mélenchon é, somente, mais um populista de esquerda e mais um golpista, que a inépcia dos políticos do sistema sustentou até aos 19,2% (mas, mesmo assim, só até aí e por causa da falta de carisma e de estratégia de B. Hamon). 



Rivais históricos na França se unem contra Marine Le Pen no 2º turno - 24/04/2017 - Mundo - Folha de S.Paulo:



'via Blog this'

Trump com impopularidade histórica



Não admira a notícia (v. abaixo). Um Presidente eleito por minoria de votos (um paradoxo antidemocrático, no qual os EUA terão de pensar mesmo) que, em vez de consensualizar para seduzir e se tornar maioritário, exacerba, divide o seu próprio partido, empertiga-se todo e procura 'cumprir' as 'promessas', só podia ver diminuída a minoria que o sustentou. Ainda para mais sendo um desajeitado político - nada surpreendente quando se elege um outsider



Casa Branca - Trump com impopularidade histórica:



'via Blog this'

17.4.17

Referendo na Turquia aprova ampliação de poderes de Erdogan

Referendo na Turquia aprova ampliação de poderes de Erdogan - 16/04/2017 - Mundo - Folha de S.Paulo: "Em discurso, ele disse que o resultado consolida "a unidade, fraternidade e harmonia entre os cidadãos" e pediu que a comunidade internacional respeite o voto."



Levando em conta que Erdogan amordaçou a imprensa privada livre, reatou a guerra com os curdos (ainda antes das últimas eleições) e conotou a oposição com esses 'terroristas', perseguiu todos os inimigos e rivais desde o famoso 'golpe de Estado', podemos dizer que o referendo se realizou em ditadura e, portanto, não é válido.



O estranho é que, apesar de todo esse controlo, apesar de trazer o seu país amordaçado, o ditador só tivesse conseguido pouco mais de 51% de votos (cerca de 51,3). Mais estranho ainda é que, vencendo nessas circunstâncias e por essa margem, profira a frase posta acima. Se uma decisão que afetará todos e gerações futuras também é tomada só por metade dos votantes e nas condições asfixiantes em que votaram, como é que isso concorre para "a unidade, fraternidade e harmonia entre os cidadãos"? Só se ele quer dizer que, se perdesse, fazia guerra...

Não é muito diferente a interpretação do Le monde:


'via Blog this'

10.4.17

Alabama governor to resign amid sex scandal



Como se vê, este Partido Republicano, com Tea party e populistas, é mais um simulacro, próprio de países dominados por programas de TV e outras realidades virtuais. O verdadeiro drama está em levá-los a sério e, sobretudo, votar neles. O que podia ser normal em qualquer casal é inadmissível num governador que se apresenta em nome dos velhos valores, entre eles o da monogamia e o do 'amor para toda a vida', dentro da instituição casamento. Com a mesma leviandade se votou, quase maioritariamente, num Presidente que hesita entre provocar uma 3.ª guerra mundial ou instaurar uma ditadura interna, mas seguirá, certamente, o que lhe trouxer mais popularidade. A popularidade é uma das ferrugens da democracia.



Source: Alabama governor to resign amid sex scandal | TheHill:



'via Blog this'

24.3.17

Maduro cada vez mais podre


O regime venezuelano está cada vez mais desmascarado e isolado. Cada vez mais, também, caem no ridículo posições como a de Jean-Luc Mélenchon e a do Podemos defendendo que o regime chavista é democrático, livre e até, quem diria, defende os interesses do povo:

http://www.lemonde.fr/ameriques/article/2017/03/24/l-appel-de-quatorze-pays-americains-au-venezuela_5099904_3222.html 

Não dá para continuar a acreditar que são só manobras do velho fantasma - o imperialismo. Mesmo apesar de Trump. 

14.3.17

Europe : les entreprises peuvent interdire le voile sous conditions



Como é óbvio, para países livres, as empresas podem, sem ofender nem humilhar, impor vestuário próprio.



Europe : les entreprises peuvent interdire le voile sous conditions:



'via Blog this'

Tensions avec les Pays-Bas : Ankara veut saisir la Cour européenne des droits de l’homme



Haja retórica!

Sintomático ter logo aproveitado, o governo turco, para sair do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Já daí queriam sair há muito tempo, com medo de serem réus por causa dos curdos e da repressão à intentona.

Mas a Europa continua, parece, com pouca iniciativa, ou com iniciativas pouco ousadas. Por exemplo, podia deixar os ministros turcos irem fazer campanha desde que os ministros europeus pudessem ir à Turquia também fazer campanhas idênticas, ou conferências (promovidas por europeus) e comícios sobre a Síria e a importância da solução do problema curdo na solução da crise na Síria e, consequentemente, na redução do problema dos refugiados na Europa. De resto, se a Turquia deixa entrar os refugiados sem ninguém a ter obrigado, devia resolver o problema que assim criou. Porque ameaça, então, obrigar a União Europeia a deixá-los também entrar? Erdogan reconhece que a Turquia não é um país apetecível para refugiados? Ou que a Turquia, de facto, nunca vai nunca integrá-los, como não integrou os gregos que lá viviam, no tempo de outro ditador? O jogo dos ditadores é sempre jogo baixo.



Tensions avec les Pays-Bas : Ankara veut saisir la Cour européenne des droits de l’homme:



'via Blog this'

13.3.17

Falso heroi


Erdogan, cada vez mais o ditador da Turquia, não faz campanha junto aos turcos da Rússia, mas acusa a Europa democrática - onde moram, por opção, milhares de turcos - de nazismo por não deixar que os seus países se transformem num espaço público do Ditador. Imaginem a Turquia a permitir aos Sírios manifestarem-se a favor de El-Assad no seu território...


19.2.17

socialistas - até onde?



A propósito de algumas discussões que se reacendem de quando em quando, lembrei-me do ano de 1921 (e de alguns outros): 

1) URSS - A Estónia recuperou a autonomia, que manteve até 1940 (em 1939 o Pacto Germano-Soviético decide a sua anexação pela URSS; uma aliança que, justamente em 1921, se verificara na China, onde Sun Yat-Sen iniciou a colaboração do KMT com o PCC).

2) 35 fascistas são eleitos nas listas dos ‘blocos nacionais’, favoritos do velho chefe socialista Giolitt. Partilhavam o mesmo berço... Já em 1912 Mussolini, no Congresso de Régio Emília, provocara a expulsão de vários militantes de peso do Partido Socialista. Entrou como diretor do Avanti! nesse ano e ficou no cargo até 1914, ano da sua expulsão (o jornal era o órgão do PSI) por divergências internas. Regressando ao ano decisivo de 1921, em Novembro os fascistas organizaram o Congresso de Roma: contavam 310.000 inscritos, dos quais 22.418 operários da indústria e 36.847 camponeses; o movimento transformou-se em partido e nunca mais parou até à tomada do poder.

3) No ano anterior (1920.02.24), Adolf Hitler, com um discurso inflamado, lera o seu programa ao Partido Operário Alemão e formalizara, em Abril, o Partido Operário Nacional-Socialista Alemão. 

4) Sobre as relações entre anarquistas e marxistas: depois da ruptura com os marxistas, em Haia (no V Congresso da Internacional), em 1872, os bakuninistas são banidos da organização e iniciam os seus próprios congressos. Em 1921, os anarquistas Emma Goldman e Alexander Berkman fogem da Rússia bolchevique para Londres, acossados pela polícia política do Kremlin e, em particular, pelo grande chefe do Exército Vermelho, Trotsky, supremo comandante e criador do exército soviético, depois de este ordenar o massacre dos marinheiros russos amotinados (em greve) na base de Kronstadt (mar Báltico, na Ucrânia). 

E, por agora, intervalo: vou assistir a mais umas trumpalhadas com a rede básica putinesca por baixo das fraldas do novo presidente, não eleito, dos EUA (o último não eleito foi George Bush, filho; lembram-se? Fez a guerra do Iraque provocando um problema que veio até hoje mas, pelo menos, era político; os não eleitos tendem, pelos vistos, a grandes níveis de insegurança que os levam a afirmar-se brutalmente).