18.7.16

Erdogan, Putin, totalitarismo islâmico e a pedra no sapato



A notícia-comentário parece-me exata e bem pensada. O que se passa na Turquia é uma verdadeira purga e tem um objetivo só: colocar, de um só golpe, a Justiça, a Administração e, sobretudo, as Forças Armadas na mão e aos pés de Erdogan e do seu partido. A partir daí, como em qualquer Estado totalitário, não haverá mais separação entre Partido, Governo, Estado e, pretensamente, país. 


Provavelmente alguns militares, uma vez que entre eles grassava o descontentamento, foram estimulados a avançar para o golpe. Mas, quer tenha sido assim, quer não, o que Erdogan faz é aproveitar a situação para, de um só golpe, cumprir agora o seu velho projeto de poder pessoal e totalitário. A súbita reaproximação à Rússia, iniciada ainda antes do golpe, denunciava já essa intenção, pois era previsível o afastamento da Europa, dos EUA e da Nato e era necessário, por isso, reativar a aliança com outro poder totalitário, sempre compreensivo para com os ditadores. 


O problema de Erdogan divide-se agora em dois: Putin estará sempre de pé atrás, porque se trata de um fascismo islâmico e ele tem muitos problemas com os islamitas radicais; a segunda parte é mesmo essa: toda a encenação e a rápida substituição de quadros, até a resistência nas ruas, não seria possível sem o largo e decidido apoio dos radicais islâmicos, que terão andado armados entre a multidão a prender soldados afinal inocentes. 


Erdogan vai ter de escolher aqueles de que depende para sustentar internamente o seu controlo total sobre o país. É, portanto, provável que a opção Putin seja apenas temporária, um casamento de conveniência e com data de divórcio aprazada. A única pedra no seu sapato continua a chamar-se Fethullah Gulen...




Turkey widens post-coup purge, demands Washington hand over cleric | Reuters: "Fethullah Gulen"

Um exemplo mais de que se trata, realmente, da islamização rápida e forçada da Turquia está nesta decisão de descriminalizar o casamento entre homens adultos (mesmo velhos) e crianças. Ler aqui.

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